domingo, julho 11, 2010

Estágio não remunerado

É uma falta de respeito por parte das organizações com fins lucrativos estarem à procura de colaboradores recém-licenciados sem os remunerar, visto que os mesmos acabam por gerar valor para organização.

Completar uma licenciatura é um trabalho exigente e trás muitas aprendizagens não apenas de conhecimento como de interacção com colegas, com professores e com as outras pessoas da faculdade, gera também uma capacidade de reflexão muito interessante e no fim a licenciatura mais do que um mero diploma, é um atestado de pessoa que sabe aprender por si própria. Desta forma o jovem recém-licenciado reúne características tais que o trabalho que executa, gera benefícios económicos e parece-me justo ser remunerada pelo trabalho que faz

Outro dos ultrajes ou da postura que também considero ser uma ofensa para os recém licenciados são os estágios a €400 uma vez que, cada hora de trabalho valem então €2,27 e, tendo em conta que existem trabalhos que não exigem formação superior e cada hora é paga a €5, as empresas que fazem este tipo de oferta, tal como as que propõem estágios não remunerados, são organizações sem vergonha nenhuma.

quarta-feira, julho 07, 2010

A sopa da Ministra da Doença

A proposta da Ministra da Doença, Ana Jorge é de tal forma demagógica que eu considero ser ridícula, pela simples razão que o apelo que ela fez: “é necessário modificar os comportamentos alimentares e de sedentarismo que as pessoas estão a ter em Portugal” ser um tiro no escuro, porque fazem-se este tipo de declarações mas permite-se que a publicidade de alimentos pouco saudáveis seja feita de forma completamente liberal, e portanto é este tipo de comida que as pessoas acabam por se lembrar que existe e esquecem-se do resto

Ligue-se a televisão, o jornal, as revistas, os mupis e atente-se à publicidade que por lá passa. Já alguma vimos campanhas de promoção do consumo de frutas, legumes e sopas de forma duradoura e criativa? E já agora, o fast-food no curto prazo, que é o prazo em que as sociedades ocidentais funcionam, será mesmo mais caro do que fazer sopa em casa?

Fonte: http://economico.sapo.pt/noticias/ana-jorge-apela-aos-portugueses-para-fazerem-sopa-em-casa_93640.html (acedido a 06.07.2010)

domingo, julho 04, 2010

Os novos rurais


Geres
Originally uploaded by Amendoas
O êxodo rural, motivado pela árdua vida campestre, foi seduzido pelas promessas de uma vida melhor no seio da cidade, tornando as zonas rurais espaços fantasmas ou então locais muito envelhecidos. No entanto, o que se vê nos dias de hoje é uma árdua vida citadina e os empregos tal como os do campo, são de baixo salário, o tempo escasseia havendo ainda menos do que no campo pois as novas tecnologias permitem tornar as pessoas robots e trabalhar o dia inteiro, com o recurso à Internet e ao telemóvel que tem de estar ligado 24 horas. A acrescer a isto há ainda o stress e a velocidade vertiginosa com que se vive na cidade, o tempo que não há para brincar com as crianças, a desconfiança que se sente em relação a toda a gente.

Assim, agora que a cidade tem o que motivou o êxodo rural, a ruralidade sobressai, pela velocidade do estilo de vida que lhe é característico, pela ausência de stress e de tantos perigos que há na cidade, pela presença permanente da natureza, por se poder contar com as pessoas e, a pouco e pouco, cada vez mais com maior intensidade iremos fazer parte do êxodo urbano!

Se despertar o interesse, dá um pouco da tua atenção ao documentário que passou na RTP:

domingo, junho 27, 2010

Retroreflexões sobre Yoga IV


857.
Originally uploaded by Opus104
Os acessórios do yoga
Props, cintos, tapetes e bolsters são acessórios muito utilizados na prática do Yoga. Já me questionei se é correcta a utilização dos mesmos uma vez que os yoguins, quanto muito terão usado um tapete, embora mais largo que os actuais e, o anti-derrapante seria com certeza, diferente dos de hoje em dia se bem que, na verdade, o chão por si só era também diferente.

Acabei por chegar à conclusão que na verdade, os acessórios do yoga, estão perfeitamente adaptados à condição física dos sedentários de hoje em dia e que permite até evitar lesões aos mais atrevidos e que o saco do tapete é essencial pois a prática é para ser feita também em casa e não apenas nas aulas.

Para os mais puristas, que nem tapetes querem, existem os estilosos paws anti-derrapantes para pés e mãos! Mas como é que depois se faz Shavasana e outras posturas no chão?

http://www.yoga-equipment-store.com/index.php

sexta-feira, junho 18, 2010

E continua a viagem.....


E continua a viagem.....
Originally uploaded by Dircinha -
Três meses podem passar num instante e, os mesmos três meses, podem demorar mais tempo a passar do que um ano inteiro. A noção do tempo é muito relativa pois quando se está apaixonado, o tempo com a pessoa amada é sempre curto mas, quem espera por um autocarro da Carris, desespera.
Uma viagem feita para um dado lugar do planeta, pode durar simplesmente esse tempo da viagem e, por mais curto que seja esse tempo, essa viagem pode também durar uma vida inteira.
Frequentemente isso acontecerá, porque a viagem marcou a vida da pessoa trazendo aprendizagens de tal forma relevantes que integraram a forma como o viajante encara a vida e, por consequência a viagem está sempre a ser recordada até ao fim da viagem da vida.
Assim é interessante cruzarmo-nos com pessoas que dizem ter feito uma viagem de um mês, quando na verdade parece que essas viagens ainda estão bem longe do seu fim!

sábado, junho 12, 2010

Retroreflexões sobre Yoga III


savasana, edita
Originally uploaded by Dashamagordon
Savasana – a (díficil) postura do morto
Savasana é, das posturas mais descuradas na prática do yoga. Assumida como de fácil execução, tende a ser esquecida tanto pelo professor, como pelo praticante pois, se por um lado o professor facilmente deixa de sugerir que o praticante se mantenha consciente, por outro é muito comum ouvir uma turma de praticantes a ressonar como uma orquestra sinfónica. No verso 34 do Hatha Yoga Pradipika, Savasana é descrita da seguinte forma:

Deitar no chão, como um defunto, designa-se por Savasana. Esta postura remove a fadiga e dá descanso à mente.

Tudo o resto, como a adição de visualizações e respirações será então adição recente, talvez para facilitar a consciência na postura o que é muito bom mas, devido ao estilo de vida alucinante, é recorrente existirem sempre pessoas a dormir.

Savasana, na minha percepção, é uma postura extraordinária para escutar o corpo e senti-lo relaxar e bem assim, relaxar a mente, fazendo igualmente um esforço para manter a consciência, quer através das visualizações, das respirações e/ou de estar atento às sensações do corpo. E é por isto que Savasana se torna das posturas mais exigentes, porque se em Adho Mukha Svanasana é possível sentir as costas esticar, colocando então aí a nossa atenção, Savasana é das posturas mais complicadas para manter o foco.

domingo, maio 23, 2010

Retroreflexões sobre Yoga II


Finding peace
Originally uploaded by lululemon athletica
Yoga em busca mesmo de quê? (Parte II)
Para além das asanas, as quais por vezes tenho alguma dificuldade em as chamar assim pois torna-se complicado distingui-las de outros exercícios físicos, surge o yoga como panaceia para o stress da sociedade ocidental para proporcionar tranquilidade, aliviar o stress e reduzir a ansiedade.

A verdade é que funciona, a pessoa pára, respira (que é crucial para que as técnicas funcionem), a prática é adaptada de forma a não ser fisicamente tão exigente e no fim a pessoa adormece na (verdadeiramente difícil) postura shavasana.

Mas o yoga é isto? Por exemplo, não seria mais útil adoptar um estilo de vida menos stressante, em vez de estar constantemente a oscilar entre stress, relaxamento, stress e relaxamento?

domingo, maio 16, 2010

Retroreflexões sobre Yoga I


upwards dog?
Originally uploaded by lomokev
Yoga em busca mesmo de quê? (Parte I)
Tenho a ideia de já ter lido em diversos sítios que a difusão do yoga no ocidente está relacionada com a procura que os ocidentais fazem de forma a se encontrarem consigo próprios, de descobrir a espiritualidade ou simplesmente encontrar um rumo para a vida que vá para além da filosofia materialista tão premente no hemisfério norte.

Na verdade, tenho a percepção que a difusão do yoga está bem afastada daquilo que é a sua proposta (o encontro do ser) e que, a sua enorme difusão prende-se com o facto de ser mais uma forma de satisfazer a obsessão pela imagem corporal tão premente no ocidente, até porque a prática mais difundida é a física, as asanas que acabam por serem conhecidas como yoga.

As asanas são uma forma extraordinária de satisfazer as necessidades do mercado ocidental, por diferentes razões: são maravilhosamente belas, as pessoas sentem o corpo quando estão nas posturas, tonificam os músculos e são progressivas, isto é, a prática começa com posturas simples (adaptado portanto a pessoas sedentárias) e, à medida que a prática destas vai sendo melhorada, parte-se para a execução das posturas mais exigentes, ou seja, há um caminho que já está delineado, dando assim um sentimento de segurança que faz com que o praticante acabe por ter incentivo ao sentir o progresso na sua prática.

Mas o yoga é só isto? De facto será isto o yoga? Qual será então a diferença entre asanas e os exercícios de ginásio e fitness?

domingo, maio 09, 2010

Falta comida no prato


Extreme diet
Originally uploaded by Joan Vicent Cantó
Quando o preço do combustível aumenta, as preocupações limitam-se aos transportes quer seja através do depósito do carro, ou do passe social, só que as implicações do preço do combustível influem nas vidas das pessoas de uma forma muito mais alargada do que o nosso transporte.
Pode-se em boa verdade, dizer que o petróleo foi o motor das sociedades desenvolvidas e continua a ter esse papel como se vê claramente no artigo da wikipédia.

Petroleum is vital to many industries, and is of importance to the maintenance of industrial civilization itself, and thus is a critical concern for many nations. (1)

O petróleo está presente no tubo da pasta de dentes, no saco do supermercado, no plástico do telemóvel, no cartão Multibanco, na garrafa de água, no champô, nos assentos dos automóveis, nos pesticidas dos alimentos. Contudo, o baixo preço a que o petróleo tem sido transaccionado ao longo das últimas décadas, é o que tem possibilitado, asfixiar a agricultura nacional e é por isso, que hoje, é mais barato, comer em Portugal uvas que foram colhidas no Chile, espinafres que voam da Nova Zelândia, bananas que voam do Equador, arroz que voa da Tailândia.

Mas, se o preço do petróleo não baixar vamos comer o quê?

(1) - http://en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_industry

segunda-feira, maio 03, 2010

Trilhando um caminho em Yoga


Dancer Pose
Originally uploaded by Tim Bermingham
A primeira pedra no caminho do yoga é moksa, um desejo sincero pela liberação.
Depois de desperto este desejo, começa o trabalho, o qual por simplicidade, pode ser feito a partir do que os antepassados deixaram como legado para as gerações vindouras ao invés de criar confusões novas.

Se pegarmos nos Yoga Sutras de Patanjali, no verso 2.29, o primeiro componente do yoga é Yama que poderá ser traduzido como autocontrole. O próprio Yama é composto por cinco componentes sendo o primeiro, Ahimsa. Desta forma, Ahimsa será então o primeiro degrau do caminho do Yoga.

O que Patanjali nos diz sobre Ahimsa, que pode ser traduzido como não violência, é apenas que este é o primeiro passo, e assim, tudo o mais que se diz sobre Ahimsa deriva de interpretações de pessoas com grande capacidade argumentativa ou óptimos escritores cujos textos, na verdade até podem ser úteis para ajudar a acolher Ahimsa.no caminho.

Ahimsa aplicado de forma permanente na vida do caminhante, deriva de uma capacidade de reflexão, implementação e consciência extraordinária que é única e customizada para cada caminhante..

segunda-feira, abril 19, 2010

Como é que é possível

Como é que é possível que hajam mais pessoas que sabem o que é a Opel, que saibam quem é Hannah Montana, que conhecem o iPod e já ouviram falar no iPad e que sabem que existem filmes 3D mas não sabem o que é um OGM, um PPR, homeopatia ou acunpuctura?

domingo, abril 04, 2010

A importância da permanência em asana


Sari
Originally uploaded by Sami Taipale
Asana refere-se a estabilidade na postura, e é uma das componentes que se procura desenvolver no trabalho do yoga. Contudo é fácil constatar que a estabilidade no asana é uma etapa que exige muito tempo e trabalho e portanto a um determinado ponto da prática, será útil reflectir sobre a importância desse trabalho de forma a compreender se a dedicação de tempo à prática vai de encontro aos objectivos, prolongando assim o trabalho ou mudando para outra actividade.

Na prática à qual me tenho dedicado, verifico que ao trabalhar a estabilidade do asana, há um grande foco na respiração e na atenção que se coloca na parte do corpo que se está a trabalhar, permitindo assim, com o passar do tempo, aumentar à atenção aos sinais que o corpo constantemente oferece e aos quais normalmente não são dados a devida atenção. Por outro lado, o foco na respiração permite acalmar muito do turbilhão de pensamentos que passa na mente e esta é também uma parte essencial, pois sem o trabalho correcto da respiração é muito exigente trabalhar a permanência da postura, pois é esta componente que ajuda a foca e a ultrapassar a barreira do desconforto que por vezes surge o que acaba por permitir um esvair dos pensamentos e atenção adequada.

Com o desenvolvimento deste trabalho físico de atenção no corpo, o mesmo permitirá gradualmente o trabalho mais subtil da parte psicológica que, por ainda não conseguir compreender bem do que se trata ainda não o consigo expor. No entanto o trabalho do asana, depois da parte física estar adequadamente trabalhada permitirá começar a dar então espaço para que se possa dedicar atenção às emoções, com um pensamento mais lúcido, pois a respiração então já estará mais bem trabalhada

domingo, março 28, 2010

O homem deve ser como uma espada

O homem deve ser como uma espada, o seu corpo deve ser como a bainha. Um dia chegará a morrer e a alma deve sair do corpo cantando, luminosa como a lâmina de uma espada. E então a bainha ficará vazia e inútil, e será deitada à terra; mas a espada, o pedaço de luz das estrelas que ficou aprisionada na terra, voltará às estrelas
No O Reino da Massa, Stjepan Palajsa

domingo, março 14, 2010

OGM fora!


french fries
Originally uploaded by boonkit
Em Novembro, já aqui tinha feito uma primeira abordagem aos transgénicos, só que, desde então, já o assunto de desenvolveu com contornos preocupantes.

Primeiro, o actual Ministro da Agricultura, António Serrano, já se mostrou favorável à introdução (1) dos OGM em Portugal, se bem que, na verdade estas matérias são decididas pela União Europeia e portanto os países por si acabam, por não ter poder sobre as decisões no seu próprio território (estranho? sim? Não, não me enganei).

Segundo, o Ministro da Agricultura, não percebe nada de Agricultura, a sua formação é Gestão, sendo docente da área na Universidade de Évora (2) e fora da universidade foi chairman no Hospital de Évora (3). Que tipo de perfis é que são colocados em cargos públicos, e com que objectivo?

Terceiro, na imprensa internacional, no inicio de Janeiro, no Times e Telegraph saíram três notícias a apoiar os OGM, sem qualquer argumento contra.

08 Janeiro – Telegraph 'Climate change resistant crops' move nearer after gene breakthrough

11 Janeiro – Telegraph GM crops to be planted in Britain again this year

13 Janeiro – Times Organic farmers must embrace GM crops if we are to feed the world, says scientist

Quarto, uma variedade de batata transgénica já foi aprovada para cultivo na Europa (4)

Quinto, nos EUA, já começou a ocorrer a manipulação do preço das sementes, conforme noticiado no New York Times (5). O problema da manipulação do preço das sementes é um assunto que já teve efeitos na Índia, como Vendana Shiva, líder do movimento indiano Navdanya, explica neste artigo. Isto significa que, gradualmente, o controlo do plantio dos alimentos, que actualmente está disperso por milhares de agricultores, vai ficando concentrado nas mãos de poucos, dando especial ênfase à Monsanto, Cargill, Syngenta, BASF e Bayer.

Por fim, não é de esquecer que os ganhos de produtividade decorrente dos cultivos transgénicos são uma falácia (6) e que a segurança para as pessoas e para o ambiente não pode ser aferida de forma independente pois os estudos que são feitos sobre estas culturas tem sempre de ser aprovados pelas multinacionais que facultam as sementes para os estudos (7), não sendo assim de estranhar que os estudos sejam sempre favoráveis. Atente-se ainda que a influência das multinacionais sobre estudos científicos revistos não se esgota na área da alimentação, pois há bem pouco tempo no New York Times foi publicado um artigo sobre a influência da indústria na área dos farmacêuticos